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Archive for fevereiro \12\UTC 2013

Algumas curiosidades sobre o papado

O anúncio do Papa Bento XVI de que irá renunciar ao pontificado a partir de 28 de fevereiro surpreendeu o mundo, não somente os seus seguidores católicos. É evidente que o papa tem suas razões para tomar uma decisão tão inesperada e incomum. Foram apresentados três exemplos de renúncia de papas: Bento IX em 1045. Consta que um nobre riquíssimo chamado João Graciano, que depois foi papa com o nome de Gregório VI, ofereceu uma grande soma para que o jovem Teofilato (Bento IX) se afastasse de Roma. Filho de Alberico III, conde de Túsculo, tornou-se papa por imposição de seus parentes muito poderosos e de grande influência. Tinha menos de 20 anos de idade! Três vezes ele foi papa e três vezes foi deposto. É discutível que de fato tenha havido alguma renúncia de Bento IX. Segundo o livro Biografias dos Papas, pág. 301, o seu pontíficado, com interrupções, durou 15 anos (1033-1048). Celestino V de fato renunciou em 1294. Alguém disse no Jornal Nacional que foi em 1235. Apesar de ocupar uma posição tão importante na Igreja Romana, acaso esse cardeal desconhece a história do papado? Não, o mais provável é que tenha havido um lapso de memória. O papa que reinava em 1235 era Gregório IX, de triste memória, pois regulamentou o execrável tribunal da inquisição criado por Inocêncio III em 1215. Mas ele não merece um juízo muito severo porque em seus primeiros anos a inquisição não tinha tortura! Foi o famigerado papa por nome de Inocêncio IV (1243-1254) quem instituiu a tortura na inquisição. É curioso que Gregório IX tenha sido o papa que mais viveu. Eleito aos 84 anos (1227), morreu em 1241 com a avançada idade de 98 anos e nunca renunciou! Voltando a Celestino V, consta que ele aceitou ser papa com relutância, temendo contrariar a vontade de Deus. Seu sucessor, Bonifácio VIII, é acusado de ter cometido os piores crimes contra o inexperiente monge que renunciou ao papado, inclusive fazendo pressão para que ele renunciasse. Mesmo depois que Celestino V renunciou, Bento Caetani (Bonifácio VIII) não permitiu que ele vivesse seus últimos dias em paz. Mandou prendê-lo em um convento! [Bonifácio ou Malifácio?]. Bonifácio VIII (1294-1303) foi um defensor da teoria das duas espadas. Afirmava que Jesus havia conferido a S. Pedro duas espadas: uma espiritual e outra temporal e que os que discordassem dessa doutrina eram heréticos e não poderiam ser salvos! (bula Unam Sanctam). Alguém afirmou que esse papa subiu ao trono como raposa, reinou como leão e morreu como cachorro. De fato, Bonifácio VIII foi muito humilhado pelo rei francês Filipe IV. Os emissários do rei o esbofetearam e fizeram com que ele morresse desgostoso. Por mais mau que tenha sido Filipe IV o Belo, rei da França, ele não se dobrou ante as pretensões de Bonifácio VIII. O outro papa que renunciou foi Gregório XII em 1415. Era o tempo do chamado Grande Cisma em que houve ao mesmo tempo até três papas: um em Roma, outro em Avinhão e outro em Pisa. Em outro período sombrio da história do papado, ficou célebre o chamado “sínodo cadavérico”. Depois do papa Formoso (891-896) houve um papa por nome Bonifácio VI que nem aparece na lista por ter tido um pontificado brevíssimo — apenas alguns dias. Seu sucessor, Estêvão VI, mandou retirar do seu ataúde o cadáver do papa Formoso. O corpo foi assentado num trono e acusado de ter aceito ser papa (bispo de Roma) sendo que já era bispo de Porto! Depois de outras acusações, o morto foi intimado a se defender, julgado criminoso e despojado das insígnias pontificais. Cortaram-lhe os dedos da mão direita e atiraram o cadáver no rio Tibre. Alguns anos depois, a partir do pontificado de Sérgio III (904-911), houve um período que recebeu o nome de pornocracia [governo das meretrizes] e que durou do ano 904 até o final do pontificado de João XII (964). O papa Sérgio III foi amante de Teodora, esposa de um senador romano, e de sua filha Marózia. Dizem que ele foi o pai do papa João XI (931-936). Mas João XI, muito jovem quando exerceu o pontificado, provavelmente era filho de Alberico I, conde de Túsculo, e de Marózia. João XII (955-964), neto de Marózia, foi um verdadeiro prodígio de vício e de crime. Homicídios, adultérios e incestos caracterizaram seu pontificado. Transformou a corte romana num bordel e morreu às mãos de um indivíduo ultrajado enquanto abusava da sua esposa! Poderia ser chamado o Calígula do pontificado! Foi a partir de João XII [que se chamava Otaviano] que os papas seguiram a tradição de mudar de nome ao serem eleitos para o pontificado. Por isso Bento XVI em vez de Joseph Alois Ratzinger. Alguns papas preferiram conservar o mesmo nome: Adriano VI em 1522 e Marcelo II em 1555. Também existe muita confusão no elenco cronológico dos papas: Martinho I (649-655) foi seguido por Martinho IV (1281-1285). Não houve Martinho II nem Martinho III. Mas houve Marino I e Marino II. Também o mesmo se dá com o nome João. Por exemplo, João XIX (1024-1033) foi seguido por João XXI (1276-1277). Acaso o português Pedro Juliano, que como papa adotou o nome de João XXI, não sabia que o seu predecessor de nome João fora João XIX e não João XX? Ou ele não gostava do número XX? Também existiram dois João XXIII. No tempo do Grande Cisma, o cardeal Baltazaro Cossa adotou o nome de João XXIII (1410-1417). Esse papa era extremamente corrupto e depravado e está na lista dos antipapas. Cometeu dezenas de crimes. Ele foi deposto pelo Concílio de Constança. Também era a época do Grande Cisma do Ocidente em que houve até três papas! O outro João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) é mais recente (1958-1963). Convocou o Concílio Vaticano II e era apreciado até pelos não católicos! Um grande contraste com o antipapa João XXIII. Os papas se consideram sucessores do apóstolo Pedro. Os católicos apresentam os três pontificados mais longos como sendo os de S. Pedro, Pio IX e João Paulo II. Excetuando-se o lendário pontificado de S. Pedro, na verdade os três pontificados mais longos da História foram: 1. Pio IX (1846-1878) — quase 32 anos! 2. João Paulo II (1978-2005) — não chegou a atingir 27 anos. 3. Leão XIII (1878-1903) — passou dos 25 anos. Houve sete papas alemães e todos eles tiveram um breve pontificado. 1. Gregório V (996-999). Chamava-se Bruno, filho do Duque da Caríntia. 2. Clemente II (1046-1047). Seu nome era Suidger, e fora bispo de Bamberg. 3. Dâmaso II (1048). Era Póppon, bispo de Brixen, alemão da Baviera. Teve apenas um mês de pontificado. Acredita-se que tenha sido envenenado. 4. Leão IX (1048-1054). Seu nome era Bruno, bispo de Toul, da família dos Condes de Nordgau. Durante o seu pontificado houve o grande Cisma do Oriente. Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla, deixou de reconhecer a supremacia do papado. Foi a primeira grande cisão na Cristandade. A outra aconteceu no século XVI — a Reforma Protestante. 5. Vítor II (1054-1057). Chamava-se Gebhard. Era bispo de Eichstadt, jovem, e pertencia à família dos Condes de Calw. 6. Estêvão IX (1057-1058). Frederico de Lorena (região então pertencente ao império germânico) foi o sexto papa alemão. 7. Bento XVI (2005-2013). Seu nome é Joseph Alois Ratzinger. Contemporâneo, já anunciou que irá renunciar.
Houve um papa português: João XXI (1276-1277). Chamava-se Pedro Juliano.
Houve um papa inglês: Adriano IV (1154-1159). Chamava-se Nicolau Breakspear. Condenou Arnaldo de Brescia à fogueira.
Houve um papa holandês, Adriano VI (1522-1523). Chamava-se Adriano Florenz Boyers e preferiu não mudar de nome.
No início da história da Igreja, todos os bispos tinham o nome de papa, que quer dizer pai em latim. Era um título carinhoso e não denotava nenhuma supremacia de um bispo sobre os demais bispos. Sirício, bispo de Roma de 385 a 398, fez com que o título de Papa pertencesse exclusivamente ao bispo de Roma.
Depois que o papado adquiriu a supremacia a partir do sexto século, para “provar” que já possuía o primado desde os primeiros tempos do Cristianismo, forjou alguns documentos. Os principais documentos falsos utilizados pelo papado na Idade Média foram: A Doação de Constantino e as Decretais Pseudo-Isidorianas.

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