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Archive for dezembro \21\UTC 2012

Os magos e a manjedoura

Frequentemente vemos gravuras e mesmo quadros artísticos de presépios retratando os pastores e os magos adorando o Menino Jesus numa manjedoura. No tocante aos pastores, nada existe que possa provar o contrário. Mas teriam os magos, ao chegarem de sua longa viagem, encontrado Jesus numa manjedoura?  O relato dos evangelistas Mateus e Lucas prova que isto seria impossível. A Igreja Romana difundiu várias crendices concernentes à visita dos magos:

1. Os reis magos. Em lugar nenhum é dito que eles eram reis. O texto diz “magos” ou “sábios”.  Também não afirma que eram três. Chegou-se a esta conclusão por causa do número de presentes oferecidos: ouro, incenso e mirra. Veja Mateus 2:11. Segundo a tradição, seus nomes eram: Baltasar, Gaspar e Melquior. A Igreja Romana celebra no dia 6 de janeiro a chamada “Festa dos Santos Reis”, também chamada Epifania. Não se sabe o país de origem desses sábios. Uns acham que eles vieram da Arábia; outros, da Pérsia; e ainda outros supõem que eles eram originários da Índia. O que se sabe é que eram homens piedosos e tinham em sua língua as Escrituras Hebraicas. Da profecia involuntária de Balaão, dada quase 15 séculos antes, eles leram o que se encontra em Números 24:17:  “Uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subira de Israel.”

2. Lucas nos informa que o Menino Jesus, ao nascer, foi deitado numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem, ou hospedaria. Percebe-se que a cidade de Belém estava apinhada por causa do recenseamento ordenado pelo imperador romano César Augusto. Lucas 2:1 e 7. Quando os magos chegaram, muitos dias depois, o recenseamento já havia terminado e, sendo assim, José e Maria já teriam comprado ou alugado uma casa. Por isso, diz Mateus: ”Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mateus 2:11). Não estava mais na manjedoura.  Até mesmo no Hinário Adventista (quem diria?) encontramos afirmações que não condizem com a realidade. Por exemplo, no hino 44: “A paz então reinou em céu, terra e mar, Ao descer sobre o Rei uma luz tutelar; A luz do Salvador brilhou mais e mais, E guiou a Seus pés nobres reis orientais.” E no hino 46: “Estrela de luz um dia brilhou, Com raro fulgor, e os magos guiou Ao pobre curral da humilde Belém, Ao meigo Jesus, a fonte do bem.”  Até mesmo Ellen G. White, em sua obra-prima, O Desejado de Todas as Nações, na página 63, afirma que, ao chegarem os magos, “Jesus estava deitado numa manjedoura.” Inspiração não é infalibilidade. Ellen White jamais afirmou que era infalível. Encontramos a presença da falibilidade humana em assuntos periféricos, tanto na Bíblia quanto nos escritos de Ellen G. White.

3. Quando os magos avistaram a estrela na noite de Natal, iniciaram sua longa viagem. Eles vinham de um país distante e, para que pudessem adorar o Menino junto com os pastores, deveriam ter feito sua viagem de avião, o que não existia na época. Crê-se que a longa viagem foi feita no lombo de camelos.

4. Antes de chegarem a Belém, a cidade de Davi, os magos passaram por Jerusalém, deixando muita gente perplexa. A inquirição feita pelo rei Herodes e a resposta a ele dada pelos magos desfaz o mito de três reis adorando o Menino Jesus numa manjedoura. “Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos” (Mateus 2:16). Portanto, Jesus deveria ter perto de dois anos quando recebeu a visita dos magos.

5. Finalmente, a oferta apresentada pelos pais de Jesus por ocasião da sua apresentação, “um par de rolas ou dois pombinhos” (Lucas 2:24) mostra que por esse tempo os magos ainda não haviam chegado, pois os valiosos presentes que eles ofertaram ao Menino Jesus mudaram a situação financeira de Maria e José e eles teriam apresentado um sacrifício de maior valor do que um par de rolas ou dois pombinhos.

Vemos neste exemplo que nem sempre a tradição está de acordo com a realidade. Mas não devemos rejeitar todas as tradições. Diz o apóstolo Paulo: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

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